Fundação Roberto Rocha Brito

Incentivando o ensino continuado

ESTUDOS COMPROVAM: O CAFÉ É UM EFICIENTE HEPATOPROTETOR

04/05/2015

 

 

In the search of the magic bullet… “Em busca de um remédio milagroso…” Este é o título do editorial do pesquisador alemão Gressner, referente ao trabalho publicado por Kalthorff e colaboradores sobre a extraordinária ação hepatoprotetora do café (Gastroenterology 2010; 139: 1699).

Em 1990 pesquisadores japoneses já demonstraram que a cafeína inibe a carcinogênese hepática, provocada por agentes químicos em animais de experimentação. Em 2005 foram publicados dois estudos, referendados pelo Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos, demonstrando que pacientes com lesão hepática de diferentes etiologias apresentavam risco menor de elevação das enzimas hepáticas, quando consumiam café regularmente. Duas ou mais doses de café por dia foram relacionadas com menor índice de fibrose em pacientes com hepatite C (Hepatology 2010; 5:201).   Foi demonstrado que a ingestão regular de café está associada com diminuição dos índices gerais de mortalidade (N England J Med 2012;366:1891). Estudo prospectivo, coordenado por pesquisadores de Harvard e de Madrid, envolvendo 41.736 homens (profissionais da saúde) e 86.214 mulheres (enfermeiras), acompanhados durante dezoito e vinte quatro anos respectivamente, mostrou que o consumo regular de café diminuiu a mortalidade por doença cardiovascular (Ann Intern Med 2008;148: 904).  Metanálise envolvendo 457.922 indivíduos mostrou que o café diminui incidência de diabetes (Arch Intern Med 2009;169: 2053).

O efeito benéfico do café está relacionado ao café filtrado e não ao expresso ou  a outras bebidas cafeínadas (N Eng J Med 2012;366: 1891, J epatol 2012;57:1090).   Além da cafeína, algumas das 1000 substâncias identificadas no café estão também envolvidas nos seus efeitos benéficos. Os antioxidantes polifenois e os diperternos são, respectivamente, eficazes na síndrome metabólica e na prevenção do hepatocarcinoma (Hepatology 2010;51:201, J Nutrition 2012;142:690).

Estas evidências científicas demonstrando do efeito benéfico do café especialmente na doença gordurosa do fígado que já afeta 40% da população americana foram comentadas no artigo publicado no periódico de maior prestígio na gastroenterologia, com o título “Is it time to write a prescription for coffee?”, (Gastroenterology 2013; 144:670). È aconselhável incentivar o consumo de café para os pacientes com esteatose hepática, além das recomendações de dieta e exercícios para perder peso. Desde que a sua ingestão não provoque qualquer tipo de desconforto, o cafezinho está liberado, pois além do prazer da degustação, agora sabemos que ele está também protegendo o fígado de quem o consome.

ANTONIO FREDERICO MAGALHÃES

(Médico do Deptº de Gastroendoscopia do Hospital Vera Cruz – Campinas – S.P.)