Fundação Roberto Rocha Brito

Incentivando o ensino continuado

FRUTAS E VERDURAS – AN APPLE A DAY KEEPS THE DOCTOR AWAY.

04/05/2015

17/09/2014

An apple a day keeps the doctor away.

Surgido há mais de 100 anos, o provérbio de língua inglesa é conhecido e repetido até hoje no mundo todo. Não por acaso. Ninguém contesta que uma dieta saudável deve incluir verduras e frutas, além da maçã, é claro. Mas o que muita gente pergunta é: qual a quantidade ideal para beneficiar a saúde? Estes alimentos influem na longevidade de uma pessoa? Existem evidências científicas que comprovem esses dados? Para responder aos questionamentos, revisamos e resumimos cronologicamente os fatos mais relevantes sobre o tema.

 

1990: a OMS (Organização Mundial de Saúde) recomenda a ingestão de 5 porções diárias de frutas/verduras para a prevenção de doenças cardiovasculares e de alguns tipos de câncer; cada porção foi definida em 80g, correspondendo aproximadamente a uma fruta ou a um pratinho de chá de verduras (World Health Organ tech Pep Ser, 1990: 916). A divulgação influenciou as políticas de saúde em todo o mundo desenvolvido.

2008: a comprovação dos benefícios da Dieta do Mediterrâneo, rica em frutas e verduras, reforçou a relevância desses alimentos (BMJ, 2008;337:1344). Nos últimos anos, estudos prospectivos com grande casuística, foram publicados na Europa, EUA, China e Japão, avaliando a influência de frutas e verduras na prevenção de doenças cardiovasculares, câncer, hipertensão e diabetes.

2013: dentre as pesquisas mais recentes, o estudo prospectivo coordenado por pesquisadores do Instituto Karolinska, abrangendo toda a população adulta da região central da Suécia foi considerado um dos melhores: acompanhando e avaliando 71.706 indivíduos, durante 13 anos, o trabalho mostrou que os indivíduos que não consumiam frutas e verduras tiveram índice de mortalidade 53% maior do que aqueles que consumiam esses alimentos (Am J Clin Nutr, 2013; 98: 454).

2014: O British Medical Journal divulga uma revisão sistemática de todos os trabalhos prospectivos publicados no mundo sobre a relação da ingestão de frutas e verduras com os índices de mortalidade, selecionando 16 estudos considerados cientificamente bem conduzidos. Para evitar interferência na avaliação dos resultados foram ajustados entre os grupos demais fatores que poderiam interferir na mortalidade, como por exemplo, idade, obesidade, álcool, cigarro, prática de atividade física e outros. A metanálise, realizada por pesquisadores chineses, totalizou 833.234 indivíduos, selecionados em períodos que variavam de 4,6 a 26 anos de acompanhamento. O meticuloso estudo relatou 56.428 mortes por doença cardiovascular e 16.817 por câncer, demonstrando uma redução de mortalidade de 5% para cada acréscimo diário de ingestão de frutas/verduras. Esta redução de mortalidade foi relacionada a menores índices de doença cardiovascular isquêmica, e não por câncer. O estudo mostrou também que a elevar a ingestão de frutas/verduras acima de 5 porções/dia não influi na redução do índice de mortalidade (BMJ 2014;348:g2434).

 Conclusão

Do provérbio secular à comprovação científica podemos concluir que as autoridades de saúde devem recomendar à população a ingestão de pelo menos 5 porções diárias de frutas/verduras. Se pensarmos no contingente de pessoas que vivem na miséria, isso nem sempre é possível. Porém, sabemos que mesmo na população de baixa renda os índices de obesidade vem crescendo assustadoramente, inclusive em crianças. Isso significa não a falta de recurso financeiro para adquirir alimentos, mas a falta de conscientização sobre hábitos saudáveis de alimentação. É hábito corrente trocar uma banana, uma laranja, ou qualquer outra fruta e verdura por pasteis e salgadinhos — principalmente os fritos. Ao lado da alimentação, é importante estimular também a atividade física (ninguém precisa pagar para fazer uma caminhada diária e utilizar equipamentos de ginástica disponibilizados em praças públicas). Tais hábitos aliados à redução no consumo de álcool e à abolição do fumo são tão ou mais importantes para a qualidade de vida do que o “hábito” (muitas vezes excessivo) de realizar exames médicos e o abuso no uso de medicamentos.

 

 

Antonio Frederico Magalhães

Prof. Titular da FCM UNICAMP

Médico do Departamento de Gastroenterologia e Endoscopia Digestiva do

Hospital Vera Cruz – Campinas – SP.